Ação da Coca Cola (parte #2)

Quem viu, acompanhou e se surpreendeu com a rápida ação da Coca Cola via Twitter, talvez tenha ficado interessado em conhecer alguns números.

Com as ações de divulgação do pessoal da Spark ITE, em 24 horas:

- Mais de 100 novos followers do perfil @CocaColaMG no Twitter (eram aproximadamente 590 antes da ação e nesse período ultrapassaram os 700. Nesse momento em que escrevo, aproximam dos 800).

- Mais de 150 replies.

- Aumento de mais de 1000% no número de acessos ao site da Spark, para conhecer a ação.

Acrescente a isso as inúmeras conversas no meio off-line que a ação gerou. E tudo isso aconteceu com uma ação simples de mídia social integrada com o off-line, que viralizou com algumas ações.

Foi publicado hoje no Mundo do Marketing um post a respeito e um dos comentários, da Rafael Andrade,  me chamou a atenção, que reproduzo:

“Já tem algum tempo que ando achando essas ações bem fracas.
Simplesmente pelo fato de que usuários “comuns” não ganham nada. Você só vê usuarios com credibilidade no meio “publicitário, bloguistico, marketeiro” sendo “premiados” com esses mimos.
Ok. Não sou tão rigoroso, de todos, esse case foi o mais brando. Porém, a Coca-cola conseguiu o que queria, gerou alem de muito buzz, um post no blog dele (que tem grande visitação) e no da Spark ITE. Isso é bom ?? Pra Coca sim. Pra nós, comunicadores em geral que fomentamos esse meio, não.

Não porque é uma forma da Coca Cola fugir dos “posts pagos”. O que já é proibido lá nos EUA (vide matéria no folha online = http://bit.ly/1FlJpw) Por fim, acho que o objetivo da ação é realmente relevante ( ‘Nosso objetivo é buscar, sempre, formas inovadoras, impactantes e com baixo custo para fidelizar e surpreender o nosso consumidor’ ) porém, Marcus Lemos não é um consumidor comum. Ele é dono de um ótimo blog sobre marketing logo, é também formador de opinião e ainda trabalha em uma agência de comunicação digital. Que bacana dar Coca de graça pra ele, hein ???

Enfim é a minha opinião. Queria escrever mais mas to sem tempo.
Esse assunto é ótimo pra discutir tomando uma cerveja ou, uma coca-cola gelada.”

Achei pertinente o comentário dele e gostaria de receber mais opiniões a respeito. Fiz o seguinte comentário, no mesmo post:

“Bruno, obrigado pelo post e citações! Mas gostaria mesmo de comentar o que o Rafael Andrade escreveu que, para mim, tem razão e muita pertinência, mas gostaria de por um pouco do meu ponto de vista nesse assunto.

Primeiramente, obrigado pelos elogios, sinceramente. Esse episódio da Coca Cola foi muito bacana e não vou deixar de reconhecer que “fui usado” por ela. Concordo quando diz que foi um oportunismo planejado, até porque, acredito que para a própria Coca Cola FEMSA foi uma surpresa a repercussão.

Mas como você lembrou, a Coca Cola não é uma entidade generosa que distribui refrigerantes de graça… claro que ela espera algo em retorno quando faz isso. E fiz questão de divulgar (e fico feliz pela repercussão que minha divulgação, com ajuda de amigos, teve!) não porque eu ganhei uma dúzia de latas e uma bolsa bacana, mas porque, para nós do meio de comunicação, é sempre gratificante ver que há empresas pioneiras que arriscam fugir da mídia comum e usufruir um pouco das mídias “alternativas”, como as mídias sociais. Quanto que ela gastou com isso? Acredito que o custo maior foi com o motoboy que me trouxe o presente. Mas olha só a visibilidade que ela ganhou gastando uns trocados. É surpreendente e gratificante ver que há alternativas criativas e inteligentes, e a Coca Cola FEMSA foi feliz nesse caso.

Gostaria muito que eu tivesse um acordo com a Coca, pra sempre fazermos essas ações ganha-ganha mas, sou realmente um usuário comum, porém, do meio de comunicação. Certamente levaram isso em conta quando decidiram fazer a ação comigo. Poderia perguntar: Por que não fizeram com outros profissionais de BH muito mais influentes que eu?

Topo demais a gente ir prum bar ou @quintadigital discutir o assunto! Mas eu fico com a Coca, não bebo. Rsrs Abraço!”

 E aí, Coca Cola, quais a próximas ações nós veremos?

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Coca Cola e o #CalorInsuportavel

Vamos pular a parte da discussão sobre mídias sociais e passar para a parte que o seu uso por empresas é fato. E algumas têm a capacidade de realmente surpreender e utilizá-las como  ferramenta de interação com os seus públicos e não somente como uma vitrine de promoções.

Tive uma experiência muito agradável, que me surpreendeu não só pelo presente (que foi muito bom), mas pelo encantamento e surpresa que eu tive. Quem mora em Belo Horizonte sabe o calor que está fazendo esses dias, digno de inúmeras tuitadas a respeito… fui um desses que reclamou do calor e, poucos minutos depois, a @CocaColaMG me responde, sugerindo que eu tomasse uma Coca Cola geladinha para refrescar e “abrir a felicidade”. Sem muita expectativa, pedi um fardo de “Cocas geladinhas” para mim e para o pessoal da Spark ITE. E nesse momento é que uma empresa mostra porque ela é líder: para a minha surpresa, ao chegar do almoço, recebo uma bolsa térmica com uma dúzia de latas de Coca Colas, “geladinhas”, com a resposta em um cartão impresso: “@Marcus_Lemos Um presente da Coca-Cola para você. Coca-Cola gelada para a turma do trabalho. Abra a felicidade! @CocaColaMG.”

Por que estou escrevendo este post? Não é porque eu fui comprado facilmente (rsrs), mas porque fui realmente surpreendido por uma ação simples de comunicação, de custo praticamente zero e que tem a capacidade de atingir dezenas ou centenas de pessoas em instantes por uma ação viral. Como? Bem… cá estou eu escrevendo a seu respeito. Lá estão diversas pessoas no Twitter retuitando os posts da ação. Parabéns a @CocaColaMG, idealizadores e  twitteiros(as) por trás da ação, simples e eficaz.

Mais em www.sparkite.com.br

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Mídia Social para a Mobilização Social

Dois grandes acontecimentos têm tomado conta de boa parte dos noticiários, que ferem o orgulho e geram grande indignação em pessoas normais. O primeiro caso a que me refiro é dos protestos contra o suposto resultado das eleições no Irã, que tem sido enfrentado com grande violência e 11 (até agora) mortes; e o segundo é nosso, bem brasileiro… mais um escândalo, agora no Senado, com os tais “atos secretos”.

Fora a mídia tradicional, os dois assuntos tomaram conta da blogosfera e de várias outras mídias sociais, o que demonstrou a impressionante capacidade de difusão dessas informações por meio dessas mídias. Do Irã, a imprensa, proibida de entrar no país, tem seus noticiários alimentados por amadores locais que postam seus vídeos no Youtube e por usuários que trocam as suas configurações de conexão a Internet, para que o governo do Irã, que limitou o acesso, não os localize. No sentido contrário, diversos outros usuários fizeram o inverso, ou seja, se fazem passar por usuários no Irã, para confundir o monitoramento por parte do mesmo governo.

No Brasil, protestos e indignação contra os chamados atos secretos são expressos de diversas maneiras pela Internet, com ações que vão desde abaixo assinado em blogs e tags de #forasarney no Twitter. Para o caso iraniano, pessoas do mundo inteiro pintaram seus avatares (imagem do perfil) na cor verde, em sinal de protesto a tirania iraniana.

Lindo. Mas então eu pergunto: e daí? A Internet, por meio das diversas mídias sociais, nos entregou um potencial gigantesco de mobilizar pessoas de diferentes segmentos para lutarem a favor de uma causa. Mas de tão grande potencial, parece que nos esquecemos que o mundo virtual nada mais é do que uma extensão do que acontece no mundo real. Todavia, os protestos ficaram presos nessa esfera, que, por si só, é incapaz de mover uma palha. As mídias sociais somente terão expressão quando os assuntos comentados dentro delas deixarem de ser assuntos e passarem a ser verbo, ação.

Pintar o avatar de verde, escrever comentários em blogs, divulgar uma tag no Twitter para que fique entre os trending topics é excelente, mas, na boa, não servem para nada. Só servem para mostrar que nós sabemos o que está acontecendo e nos importamos, mas que não somos capazes de nos reunir ou escrever uma faixa que seja para realizar algo não virtual, que realmente vá fazer alguma diferença. Me lembro vagamente de um conceito em Teorias de Comunicação, que se chama efeito narcotizante. Efeito narcotizante nada mais é do que isso que vivemos: indignamos-nos, mas permanecemos apáticos diante das inúmeras informações. E assim ficamos até que aconteça outra tragédia aérea ou um “novo” vírus apareça e o assunto passe a ser outro. De quantos escândalos absurdos nós já ficamos revoltados? E desses, em quantos escândalos nós efetivamente fizemos alguma coisa a respeito e não ficamos presos somente a comentários rasos nos elevadores e botecos? Em quantos houve alguma mudança, vinda de nós?

Jogamos fora o potencial de mobilização social promovida por meio das mídias sociais quando enviamos toneladas de alimentos e materiais para o sul do Brasil, no início do ano, para as vítimas das enchentes, mas praticamente ignoramos os nossos compatriotas do nordeste, que sofrem com enchentes tão ou mais violentas. Por que ignoramos? Seria ousado dizer que é porque no primeiro caso houve uma cobertura maciça da grande mídia e, no segundo, a cobertura foi menor? Nem sequer pintamos nossos avatares no Orkut ou Twitter de verde.

Lutamos por liberdade de expressão e culpamos a grande mídia pela má qualidade da programação, mas nos pregamos na televisão para assistir os próximos capítulos de uma criança que é jogada pela janela ou uma jovem que é feita refém em sua casa. Casos impressionantemente tristes, mas que são logo esquecidos à medida que nos saturamos do assunto e o Ibope indica que é hora de mudar de assunto. Sensibilizamos-nos com a tragédia do Voo 447 e acompanhamos as manchetes de que um novo destroço foi encontrado, para logo em seguida outra manchete desmenti-la. Só nos cabe mesmo a solidariedade, pois não há muito que se fazer. Mas e quando o assunto é de interesse público, como no caso do atual escândalo, em que o nosso dinheiro é revertido em mordomias para os nossos excelentíssimos senadores e familiares? Logo nesses casos, em que somos coadjuvantes, nós ignoramos e minimizamos as nossas ações!

Quando será a hora de pararmos de somente reclamar e começarmos a aproveitar o potencial de mobilização social para transformar o país e demonstrar, com ações, a nossa indignação? Como e quando será que usaremos as mesmas mídias sociais, que mobilizaram milhares de pessoas em 26 países para uma gigantesca guerra de travesseiros em locais públicos, para gerar ações pertinentes a mudanças na nossa política? Obviamente estou me referindo ao Brasil, e não ao caso dos protestos no Irã. Temos que pensar numa resposta, rápido, antes que a crise financeira ou gripe suína volte a ocupar as nossas mentes e mais um escândalo acabe em mais uma enjoativa pizza.

Marcas Corporativas. O que são?

Enquanto não tenho conseguido me dedicar muito ao blog, quero compartilhar com vocês um trabalho que acabei de entregar. Como alguns sabem, sou estudante do curso de pós graduação Latu Sensu em Gestão Estratégica de Marketing, na PUC Minas. Nele, finalizamos agora uma disciplina que se chama Gestão Estratégica de Marcas, no qual o nosso professor, o Tio Flávio, passou ao meu grupo um trabalho cujo tema foi “Marcas Corporativas”. Um dos requisitos do trabalho foi a criação e apresentação de um vídeo com o mesmo tema, que quero compartilhar aqui com vocês!





Eu e Rafael Cabral ficamos responsáveis pelo vídeo. Além do roteiro, storyboard e fotografias que trabalhamos juntos, texto, narração, trilha e edição ficaram majoritariamente por minha conta, enquanto Rafael trabalhou pesado em cima das ilustrações, tratamento de imagens e revisão do texto.

Ah, utilizamos como referência de linguagem os trabalhos da CommonCraft que, particularmente, considero excelentes os vídeos que produzem, pois conseguem explicar numa linguagem bem simples alguns temas mais complicados ou que muitos tem vergonha de perguntar. Indico a visita ao site deles e aos seus vídeos no Youtube!

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Mídias Sociais B2C (parte #2): O caso do perfil falso da Presidência.

Dentre os usos possíveis para as mídias sociais, quero reportar aqui o caso do perfil falso no Twitter da Presidência do Brasil. Hoje, o Davi Rocha, autor do blog HighPop, lançou uma matéria sobre o episódio e combinei com ele que eu inseriria esse conteúdo aqui.

No dia 13 de março, surgiu no Twitter um novo perfil, do qual muitos acreditaram ser da própria Presidência do Brasil. Nele, foi postado a agenda do Presidente e notícias que saíram em veículos conhecidos, como a CBN.

A ação gerou um rebuliço, que atingiu vários blogs, a Folha Online, o UOL e até mesmo a Assessoria da Presidência. Orientado por uma procuradora a se retratar publicamente, assim o fiz no Twitter e pedi espaço em blogs para que pudesse fazer minhas considerações e me retratar.


Por que essa ação foi feita? Por que foi escolhido logo a Presidência da República?

Um dia antes da criação do perfil, vi a notícia de que a Presidência de Portugal havia criado um perfil oficial, também no Twitter, como um veículo de comunicação. Diversos países, a exemplo de EUA, próprio Portugal e Reino Unido o vêem com bons olhos e o utilizam. No Brasil, somente o Ministério da Cultura o utiliza. Por que, então, a nossa presidência não o vê com bons olhos?

Todas as novas tecnologias surgidas, desde a lâmpada elétrica, passaram pela Casa Branca, nos EUA, antes de chegar a outros países. E com as tecnologias de comunicação e mídias sociais não foi diferente. A campanha do Obama e sua gestão recebem destaques devido a utilização de diversas ferramentas sociais disponíveis na Internet, como o próprio Twitter, MySpace, Facebook, Youtube e blog oficial. Em sua campanha presidencial, boa parte dos US$750 milhões recebidos em doações, mais de três vezes o que recebeu o concorrente McCain, foram graças a uma eficaz utilização dessas mídias. De acordo com a Pew Internet & American Life, 51% da população norte-americana entrevistada espera por uma comunicação online direta com a presidência. E, de fato, a aproximação entre governo e cidadãos ocorre de maneira mais aberta e transparente, quando dado voz a população.

Há pesquisas que apontam que as redes sociais, blogs, conversas por mensagens instantâneas e e-mails são mais confiáveis do que meios tradicionais de comunicação, como a TV e o rádio, meios, aliás, mais utilizados pelo nosso Governo Federal. Meios, esses, unilaterais, dos quais a população tem pouca abertura para o diálogo direto. Meios, pelos quais, não permitem perceber a reação espontânea da população sobre as ações do Governo Federal. Meio que não permite ouvir opiniões antes de agir. Meio impositivo. E se isso é fato, por que o Brasil, país no qual há mais de 40 milhões de usuários de Internet e que 80% dessa população participa de alguma rede social virtual , país que está em quarto lugar em uso do Twitter, ainda possui uma comunicação digital embasada somente em seus sites institucionais? Nada 2.0…

Recentemente foi encerrada uma licitação feita pela SECOM para a contratação de uma agência de Comunicação, no qual foi escolhido a TV1 Comunicação e Marketing para trabalhar a comunicação digital no país. Estou confiante. Esperemos para que não seja somente por meio de sites institucionais e formulários de Fale Conosco.

Resultados

Em termos de números, o resultado foi surpeendente: Em quatro horas, mais de 400 pessoas passaram a seguir o perfil e no final de semana seguinte ultrapassou os 500; centenas de comentários no Twitter (monitorados pelo search.twitter.com); posts e comentários em diversos blogs. A maior surpresa: uma busca no Google coroou a ação com uma chamada para o assunto na primeira página do Folha Online e uma matéria no UOL Tecnologias, com respostas até mesmo do Assessor de Comunicação da Presidência. No dia 17 de março a SECOM publicou uma nota oficial em seu site, dizendo ser falso o perfil, ou seja, quatro dias depois de ter admitido no perfil que se tratava de um fake.

Agora, por mais que uma mudança de postura por parte do governo possa não acontecer, o fato da SECOM ser questionada se era real ou não o perfil e ter lançado uma nota oficial em seu site já indica que eles foram atingidos. Possivelmente, espero, tenham exnergado o potencial de uma mídia social.

Lições extraidas

O poder da ação viral é indiscutível, principalmente quando o solvente é a Internet. Não vou entrar no mérito de ter utilizado um perfil falso, mas fato é: o assunto rendeu porque a população, principalmente a jovem, tem sede de que haja uma possibilidade de participação nas mídias sociais e assim ganhar voz. Deixam de ser somente ouvintes do que diz o nosso governo. O assunto Twitter está em alta e, aliado aos gadgets do recém eleito Obama, formam uma fórmula de alta relevância.

Mesmo depois de sair em blogs, UOL e Folha Online, o número de seguidores não parou de subir, mesmo que em um ritmo mais lento. O interessante é que, mesmo sabendo do perfil fake, vários usuários apoiram a iniciativa e demonstram apoio para que não saisse da rede, na esperança de que o Governo Federal crie um perfil verdadeiro. Importante salientar que o Twitter é apenas uma ferramenta entre várias, que utilizada em conjunto com outras e com bom planejamento, podem obter resultados excelentes, além de ganhar a adesão de muitos brasileiros.

Riscos

Existiram, mas incialmente não percebi esse risco, somente depois que tomou uma proporção maior. Contudo, não sofri qualquer tipo de ameaça judicial e fui orientado educadamente por uma profissional influente da área jurídica a me retratar e eliminar o perfil. Na verdade, eu mesmo procurei me informar sobre os meus riscos antes de falar. Minha idéia era a de publicar aqui logo em seguida, mas achei melhor não fazer isso, devido às incertezas.

Mas falando em riscos, já li, também, que temos que ser ousados e que o empreendedor de sucesso é aquele que assume riscos, tem consciência dos inimigos que fará e quebra algumas regras. Meu objetivo foi ousado e tive que me arriscar um pouco.

Em termos proporcionais, a ação foi muito pequena. Foi literalmente uma ação viral caseira mesmo. Mas foi o suficiente para atingir o Assessor de Comunicação da Presidência, virar tema do Twitter para muita gente, virar tema de vários posts em blogs, sair na página inicial do Folha Online e matéria no UOL Tecnologias. Ou seja: foi gerado um pequeno rebuliço. Pouca gente ficou sabendo, até porque até então (antes da matéria na Istoé e Fantástico) “pouca” gente sabe o que é o Twitter.

(Parênteses #2) Marcas mais valiosas do Brasil

Interrompendo a série que dei início na última quarta-feira, sobre mídias sociais, quero apenas expor alguns dados que li no site da HSM e achei muito interessante.

No primeiro post deste blog ressaltei a importância da comunicação para as empresas no momento da crise, e o mesmo fizeram outros profissionais de comunicação e marketing, com excelentes textos e opiniões. Minha idéia foi justamente a de defender o investimento em comunicação, mesmo em tempos de crise, pois essa poderia ser uma ferramenta importante para que as organizações saissem mais fortes, quando ela se acalmasse: “Deixar de comunicar é se esconder à sombra da crise e deixar de lado oportunidades de se mostrar forte e viva. E, quando a crise der sinal de melhoras, a imagem de quem abandona a comunicação organizacional já terá comprometido a sua presença na mente dos consumidores e, por outro lado, aquela que manteve seus esforços nessas atividades sairá fortalecida.”

Fiquei muito feliz com as respostas que obtive e também com uma matéria que saiu hoje, no site da HSM, pois apontou novamente a importância de se valorizar a comunicação organizacional, principalmente nesse momento. A matéria aborda a pesquisa recém saída da britânica Brand Finance, que avaliou as marcas mais valiosas do Brasil. Entre elas, destaques para o Banco Bradesco, que ficou em primeiro lugar, com valor de marca estimado em R16,27 bilhões e conceito “A” em força de marca; seguido pelo Banco Itaú, valendo R$11,81 bilhões; e Banco do Brasil, cujo valor de marca é de R$7,42 bilhões.

Entre as dez primeiras colocadas, destaque para a Vivo, que subiu da nona para a sexta posição; e a FIAT, que subiu da décima terceira para a décima posição.

O mais interessante dessa edição da pesquisa é que ela traz os primeiros impactos da crise financeira mundial. De acordo com o CEO e sócio da Brand Finance Améria do Sul, Gilson Nunes, “Enquanto o valor de mercado das empresas listadas em bolsa caiu R$ 351,6 bilhões em comparação ao ano anterior, ou seja, uma redução de 25,3%, a soma do valor das marcas aumentou 5,7%, ou R$ 12,3 bilhões”.

Rasteiramente, pode-se enxergar que o papel da comunicação e do marketing tiveram papéis importantes para esses resultados, em que a marca ganha valor, enquanto o negócio em si, perde durante a crise. E percebe-se, também, que são empresas que dão grande importância a essas atividades e, por isso, estão merecidamente entre as primeiras. Destaco a FIAT, que acho que faz um trabalho excelente, como poucas.

Mais detalhes em HSM - Bradesco: marca mais valiosa do Brasil.

Gostaria de ter a sua opinião: O que você pensa sobre os valores das marcas, como um fator de criação de valor para o negócio?

No próximo post eu volto com o Mídias Sociais B2C.

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Mídias Sociais B2C (parte #1)

Mídias sociais. Está na crista da onda falar a respeito, mas o “modismo” não a faz perder importância. Aliás, somente a faz crescer. E nessa onda, muito conteúdo bom tem sido publicado em sites e blogs, cada um abordando o assunto por um diferente ponto de vista. Sendo esse blog com um foco em comunicação, marketing e mundo corporativo, quero expor alguns textos meus a respeito do assunto, focando o seu uso por organizações (leia-se empresas, governo, ONGs, etc).

A alta relevância que o assunto tem conquistado apenas demonstra a ruptura da comunicação com os meios tradicionais, como rádio, TV e jornais, que fornecem informações de forma unidirecional, ou seja, do veículo ao consumidor. E aí está outra grande ruptura proporcionada pelas mídias sociais: O usuário agora é muito mais do que um consumidor de informações e sim um PRODUTOR dela. Isso nos dá substrato para caracterizar a Web 2.0, como já citei nesse blog, no qual há criação e compartilhamento coletivos de conteúdo pelos próprios usuários.

A Internet, por meio das mídias sociais, vai na contra mão da comunicação de massa, em que as informações eram elaboradas exclusivamente por profissionais. Ela derrubou barreiras e facilitou o acesso às ferramentas de publicação de conteúdo por qualquer usuário leigo em desenvolvimento de sites e que queira compartilhar suas opiniões, idéias e conhecimentos para quem se interesse (vide Wordpress e Blogger - ferramentas facílimas de serem configuradas; ou criar um perfil no Orkut ou Facebook).

“O crescimento do uso das mídias sociais tem feito surgir milhões de criadores de conteúdo. [...] Isso demonstra um crescimento massivo em um período muito curto de tempo e os usuários têm passado de consumidores passivos para produtores ativos de conteúdo. [De setembro de 2006 a março de 2008] Escrever em blogs cresceu de 28% para 44%; criar um perfil em rede social cresceu de 27,3% para 57,5% e fazer upload de um vídeo de 10% a 42%. O resultado é bilhões de opiniões online e disponíveis para qualquer um ler”. (Universal McCann)

Um erro comumente visto é utilizar como sinônimos os termos Mídias Sociais e Redes Sociais. Mídias sociais são essas que conhecemos e traduzimos com o uso da web 2.0, em que há uma criação coletiva e compartilhamento de informações pelos próprios usuários da internet. Ou seja, há um fácil acesso a criação e consumo de informações. Por exemplo: compartilhamento de fotografias (Flickr), de vídeos (Youtube), blogs e comentários (Wordpress), Wikis (Wikipedia), agregadores de sites (Delicious) e inúmeros outros exemplos. As Redes Sociais se incluem no grupo de mídias sociais e podem ser exemplificadas pelo Orkut, Facebook, Myspace, LinkedIn.

Abaixo, um vídeo que assisti no site da HSM Management. O vídeo é excelente para explicar o que são mídias sociais e prefiro inseri-lo a que correr o risco de não escrever com tanta clareza. O vídeo é curto e sugiro que o assista, por mais que já entenda bem do assunto.

Nesse cenário de mídias sociais, que já chegou a um ponto de maturidade e que não vejo mais volta (somente evolução), onde estão as empresas e demais organizações? Elas estão presentes nesse ambiente? Como podem tirar proveito? Como podem obter informações valiosas de seus públicos e dialogar com esses? Qual a sua importância? Essa mídias são enxergadas como úteis? Enfim, são questões como essas que serão encontradas aqui nos próximos posts. Espero que goste e faça bom proveito e que contribua com idéias!

Quantos amigos você tem? Redes Sociais vs. Número de Dunbar.

A web é responsável pela popularização de duas palavras que formam um dos termos mais falados no meio: Rede Social. Citar exemplos aqui seria chover no molhado, pois são mais do que conhecidas. E o Brasil é um dos países que tem destaque no uso dessas redes, ao ponto que a utilização do Orkut é considerada uma obsessão - palavras da Universal McCann, uma das maiores agências de comunicação do mundo -, em pesquisa publicada realizada em 29 países com 17 mil usuários.

Contudo, como bem lembrou o professor Luli Radfahrer, PhD em Comunicação Digital pela ECA-USP, é importante lembrar que as redes sociais não são novidades da era digital, afinal, elas sempre existiram. Escolas, universidades, amigos, família e trabalho são, sim, redes sociais. A grande questão é que agora elas estão sendo migradas para o mundo virtual, graças aos avanços da web e, da mesma maneira que jovens vão às escolas para encontrar seus amigos (e não para estudar), as redes sociais virtuais são utilizadas para o mesmo fim. Também graças a essa migração, teoricamente o número de relacionamentos que um indivíduo tem aumenta exponencialmente. Afinal, fazer amigos tornou-se muito mais fácil: basta adicionar ou segui-lo, evitando, assim, desgastes, uso de tempo, deslocamentos, criação de afinidade e o próprio relacionamento. Motivos, esses, pelos quais as redes sociais são muito utilizadas para campanhas de comunicação e viralização de conteúdo, pois, para se transmitir uma idéia nesse ambiente não é necessário que haja uma afinidade e ponto de encontro entre o transmissor e receptor, vulgo, “amigos”.

Então caimos em um assunto que, particularmente, me chamou muito a atenção: O Número de Dunbar, que diz que um indivíduo é capaz de manter relacionamentos estáveis com no máximo 148 pessoas, arredondando, 150. Esse limite é definido devido às complexidades de se manter relacionamentos interpessoais. Então, como ficam as redes sociais virtuais nesse contexto? Afinal, não há limites para a lista de amigos/seguidores, no qual é comum vermos pessoas, principalmente no Brasil, com mais de 500 amigos no Orkut ou esse mesmo número de followers no Twitter, por exemplo. Contudo, apesar dos números infindáveis possíveis e de sermos sociáveis, conta-se nos dedos o número de pessoas com quem podemos tratar de assuntos mais pessoais, e esse número tende a diminuir.

No site da revista The Economist, foi lançada na última semana de fevereiro uma matéria em que foi abordado esse assunto, no qual foi convidado o sociólogo Dr. Marlow, que trabalha no Facebook, para apontar alguns números existentes nessa rede, muito popular nos EUA. Segundo ele, os usuários têm em média 120 amigos em suas listas, coerente com a teoria, e que as mulheres tendem a ter mais amizades do que os homens. Entretanto, cada usuário mantém o relacionamento e troca recados por meio do Facebook com somente sete pessoas - para os homens -, enquanto o número sobe para dez, entre as mulheres. Interessante é que mesmo para aqueles com mais de 500 amigos, extrapolando os 150, os homens que se encaixam nessa categoria se relacionam com dez amigos, enquanto as mulheres 16. Outro dado interessante é que, mesmo com o universo imenso de pessoas com que se pode relacionar no ambiente virtual, as pessoas tendem a manter relacionamentos online com as mesmas pessoas que conhece no mundo offline.

Isso nos demonstra que a Internet funciona como uma plataforma social para aproximar grupos offline e menos como um ambiente para a formação de novas amizades, no qual as amizades ali representadas possuem laços mais fracos. Parafraseando a matéria do The Economist, os membros de redes sociais virtuais utilizam o espaço menos para a criação de um network e sim para promover as suas vidas para pessoas que não estão necessariamente dentro do seu ciclo limitado pelo número de Dunbar. Como disse na matéria, Lee Rainie, diretora da Pew Internet & American Life Project, “as pessoas podem estar se promovendo mais eficientemente, mas elas continuam a ter o mesmo pequeno ciclo de amizades de sempre.”


Alguns números

De acordo com a pesquisa da Universal McCann, no Brasil, as pessoas se relacionam em média com:

  • Redes Sociais virtuais: 51,5 pessoas;
  • Mensagens Instantâneas: 48,5 pessoas;
  • E-mail:  45,3 pessoas;
  • Face a face: 38,2 pessoas;
  • Blogs pessoais: 26,2 pessoas;
  • Telefone: 24,4 pessoas;
  • SMS: 17 pessoas;
  • Cartas: 8,6 pessoas.

E você? Quantos amigos você tem? Concorda com essa teoria?

Em tempo: Segundo artigo publicado no iMasters em referência a estudo realizado pelo Instituto Nielsen Online, 80% dos brasileiros participam de alguma rede social virtual, enquanto a média global é de 67%. A Espanha é a segunda colocada, com 75%. Contudo, no Brasil, esse serviço cresceu 1,4% em 2008, contra 10% de crescimento registrado em locais como Alemanha e Reino Unido.

(Parênteses) 8 de março: Dia Internacional da Mulher

Sempre fica a impressão de que uma homenagem às mulheres deveria ser redigida por elas mesmas para que nenhum detalhe faltasse. Mas se assim fosse, muitas de suas peculiaridades mais admiráveis, possivelmente, seriam deixadas de lado. Mas mudei de idéia. Mesmo que sempre fique incompleta, os homens são, sim, os melhores a escrever homenagens às mulheres. Afinal, quem mais as admira do que aqueles que menos as entendem?

Mas, por que entender as mulheres se sua beleza está contida, também, em tentar desvendar como fazem tudo com tamanha sutileza, mesmo nos mais altos níveis de stress?! Ou por que entender seu potencial de acalmar qualquer ambiente em chamas, somente com a voz? E ainda, como entender as incríveis habilidades observadoras, ao ponto de saber os detalhes do brinco a cor do sapato de outra mulher (em um relance de olhar) - nós mal percebemos a cor da camisa. Me convenço de que não é necessário, e nem quero, entender as mulheres, visto que sua complexidade me faz admirar e pensar, e muito(!), em como agradá-las. É como se agradar uma mulher fosse um desafio constante, que nos estimula a pensar.

Então, voltamos ao simples: Agradar uma mulher é “simples”… simplesmente precisamos ouvi-las para saber o que querem de nós, frágeis homens (o verdadeiro sexo frágil - se é que isso existe). Engraçado como quando queremos elogiar uma mulher, rebuscamos palavras que nunca usamos, “português difícil”, a voz fica rouca, ficamos trêmulos, suamos frio. Mas, no fim, tudo que elas querem ouvir é que são lindas! E são! Perceber o novo corte do cabelo; elogiar a roupa nova; elogiar o trabalho bem feito; reconhecer que elas tornam nossos dias mais saudáveis; reconhecer que elas são melhores do que nós!

E, seguindo a idéia da simplicidade, 8 de março foi marcado de vermelhinho no calendário, por um motivo que deveria ter todos os dias marcados de vermelhinho. Sim, só elas tem um dia de homenagem, e justo. Se houvesse um “Dia dos Homens”, ele seria um dia de exclusivos agradecimentos às mulheres. E se existe um dia das mulheres, é para nós, os homens, agradecermos a elas pelos seus mistérios, sutilezas, sensualidades, alegria, força, garra, beleza - motivos que nos faz, homens, querermos ser melhores (e não os melhores).

Um homem escrever uma homenagem às mulheres dá a constante sensação de que não está bom e algo está faltando. Mas prefiro acreditar que isso se dá pela falta de palavras, insuficientes, para tudo que se quer dizer. Mas para me ajudar nisso, ainda bem que existe ao menos um dia, um dia àquelas que tornam melhores todos os outros dias.

(Terça-feira volto a programação normal)

Posted in: Parênteses por Marcus Lemos 9 Comments

Como o Twitter pode ajudar no trabalho.

Muito se tem falado sobre o Twitter e, se não usa ou não sabe o que é, possivelmente já tenha ao menos ouvido falar. Segundo dados divulgados em dezembro de 2008, o serviço recebe de 5 a 10 mil novas contas por dia.

O Twitter é conhecido como um serviço de micro-blogging, sob o lema “O que você está fazendo?”. A idéia inicial seria justamente o de dizer aos seus amigos seguidores o que você está fazendo naquele momento. Muitos ainda o utilizam para esse fim, outros o utilizam para postar idéias, divulgar eventos, trabalhos, curiosidades, notícias, links interessantes. Tudo isso como num blog, certo? Seria, se não fosse o limite de 140 caracteres por post, o suficiente para ser objetivo. Para conhecer melhor, sugiro que faça uma conta - é rápido e grátis.

Amado por uns e odiados por outros, fato é que o serviço está tão em alta que recentemente recebeu uma oferta no valor de USD$250 milhões… o fim da história eu ainda não sei, mas essa foi apenas mais uma proposta, entre tantas que já recebeu. E, semana passada, o blog do New York Times postou o artigo “How Twitter can help at work” que, traduzindo, tem o mesmo nome deste post. Traduzi o texto e inseri abaixo, com algumas alterações minhas:

Compartilhar idéias

Se você está interessado em possibilidades profissionais, ignore o lema do Twitter, “O que você está fazendo?” porque, honestamente, os detalhes da sua vida são banais para pessoas que não te conhecem. Ao invés disso, poste assuntos relacionados ao seu trabalho e que você encontrou - um bom artigo, um novo site ou uma idéia interessante. Sempre que possível, inclua o link.

Demonstre respeito

Outra maneira de compartilhar idéias - e seu respeito para com outras pessoas em sua área - é “retuitar” (RT; Retweet) algo interessante que outra pessoa tenha postado. Simplesmente inicie seu post com “RT @nome_do_usuario” e cole na sua área de texto. O @ é o símbolo do Tweeter convencionado para indicar que está respondendo a alguém ou citando outros usuários.

Construa a sua marca

Zappos, um empório norte americano online conhecido pelos seus excpecionais serviços, encoraja seus profissionais a usar o Twitter e a responder os clientes que também usam o serviço - o que aumenta a reputação da empresa como um lugar amigável de se fazer compras e trabalhar. Notavelmente, o CEO da Zappos, Tony Hsieh, utiliza o Twitter frequentemente. Por causa da política de imagem da empresa, ele é um dos raros executivos que pode postar mensagens sob uma conta pessoal.

Engaje seus clientes

Promova concursos, solicite feedbacks e agradeça consumidores por mensagens de apoio. Jetblue faz todos os três. (Entre os brasileiros, a Camiseteria é um ótimo exemplo)

Forneça serviços

Wesabe, um site para finanças pessoais, utiliza há muito tempo o Twitter para responder às queixas e para deixar seus clientes cientes de que estão buscando soluções para os problemas. Outra empresa, a Comcast, não posta, mas utiliza o Twitter para responder aos seus clientes que fizeram alguma reclamação da empresa.

Como que a Comcast e a Wesabe sabem que os clientes estão reclamando? Twitter tem um excelente serviço de busca que permite saber o que os usuários estão falando sobre qualquer termo - inclusive você, seus concorrentes ou sua empresa. (Ironicamente, esse sistema de busca é diferente da aparente inútil busca que fica na parte superior da sua página do Twitter). Você pode, então, responder as pessoas - como fazem a Comcast e Wesabe - para o @nome_do_usuario.

Texto original aqui ou em  http://shiftingcareers.blogs.nytimes.com

Muitas outras possibilidades podem ser exploradas pelo Twitter, basta enxergar a oportunidade e utilizar a criatividade. Outras dicas boas podem ser encontradas em outros blogs, que posso resumir aqui em um post futuro.