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jun
14

Liberdade: palavra batida, mal usada e desconhecida

“Liberdade”. Palavra tão abstata quanto o próprio sentido. Assunto não mais tão atraente, provavelmente porque todos nós já gozamos de algumas liberdades. Será?

Aprovação e discussão de leis como a de proibição de fumar em ambientes de uso público fechados; a marcha para a liberação do uso da maconha (Marcha da Liberdade em alguns lugares, como em Minas) ou a discussão a respeito do projeto de lei que criminaliza qualquer ação considerada homofóbica têm jogado essa palavrinha novamente no circuito. Vou direto ao ponto e deixar duas indicações de textos que falam mais a respeito (blog do Anderson Butilheiro e blog Creio e Confesso).

Dois grupos

Enxergo hoje dois segmentos da sociedade, a respeito de questões que abordam a liberdade. O primeiro grupo é formado por uma minoria, que realmente sabe do que está discutindo e sabe levantar argumentos. Geralmente sabem participar de uma discussão saudável e, mesmo discordando de opiniões contrárias, são capazes de ouvi-las respeitosamente. Esse grupo é raro, mas existe.

O segundo grupo é formado pela grande maioria que brinca de discutir assuntos pertinentes às liberdades de escolha e de expressão. Em geral, contrariam a própria liberdade ao agirem com preconceito e criarem uma mordaça aos que manifestam opiniões contrárias às suas, sufocando, assim, a própria liberdade de expressão a que pregam. E o que mais me preocupa, é claro, é este grupo.

São inegáveis os diversos benefícios e facilidades que a Internet nos trouxe. Porém, ela facilitou também a burrice coletiva. A falta de esclarecimento se aliou à facilidade de aderir a causas. Se antes a adesão a um movimento dependia de reflexão e muita argumentação, hoje, basta retuitar, curtir, dar follow ou unfollow. Portanto, a adesão passou a depender somente de cliques, não mais do racioncínio. Este ato, tão mecânico e alienado a qualquer questão, é capaz de significar: “Pronto. Agora que eu curti a fanpage do Abaixo todos os políticos no Congresso eu me tornarei um chato incondicional e defenderei até a morte esta causa, mesmo não tendo lido uma linha sequer a respeito do que se trata e não quero nem saber o que os outros (inimigos perversos à causa) pensam.”

Quando é que eu vou poder fazer a minha opção?

Quando poderei fazer escolhas sem a presença sutil e forçada daquilo que devo aceitar? Quando que os pais poderão educar os seus filhos à sua maneira e não à maneira que a TV quer os ensinar? Não são poucas às vezes que eu fico boquiaberto com a imposição de valores pela programação. E não me refiro aos telejornais, que tem evidenciado, por exemplo, a questão do homossexualismo. Eu me refiro aos seus programas que tratam o assunto como se eu devesse aceitá-los naturalmente – caso contrário, sou um alheio à sociedade. Pegando o exemplo do homossexualismo, são inúmeros os programas hoje (na Globo – o que me lembro: Macho Man, Amor e Sexo, Insensato Coração, etc) que querem me empurrar goela abaixo a imposição de seus valores.

O perigo disso está justamente porque esses valores recaem sobre o segundo grupo que citei: sem mente crítica, são incapazes de discernir o que está sendo imposto e se tornam novos adeptos às causas televisionadas. E, como disse, são maioria. Se torna um caso como aquela frase do Henry Ford, dita no início do século XX, e que já se tornou clichê por aí: “Você pode escolher a cor de carro que você quiser, desde que seja preto”. É mais ou menos isso que sinto que tem acontecido com a nossa liberdade de expressão: “Você pode pensar o que você quiser, desde que seja o que a maioria pensa”.

Quem fez as suas escolhas por você?

Será mesmo que todas as suas decisões se basearam na sua liberdade de escolha? Ou será que não são frutos de imposições do seu meio, do que assiste, do que te falam, do que a maioria pensa? Será que quem decidiu fumar, foi uma decisão própria ou foi apreendido com os pais por meio de um status quo e campanhas maciças em torno do cigarro que o fizeram optar for fumar? Será que tudo aquilo que você defende com unhas e dentes faz sentido e você realmente concorda em defender? Alguma vez já parou para pensar ou ouviu pensamentos contrários? Os seus argumentos para defender uma causa se baseiam em que?

Entendo que a palavra liberdade tem se tornado tão discutida e colocada em uso tão porcamente, que daqui a pouco ela será também banalizada. Mas isso não fará muita diferença. Afinal, a qual grupo você pertence? Ao grupo da liberdade escolhida ou da liberdade que prega a mordaça?


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6 comentários

  1. Anderson Butilheirodisse:

    Sabe o que é pior? Já me deu ideia pra mais um texto sobre Liberdade… Agora vai banalizar de vez (ha ha ha)!!

    Mandou muito bem, Marcus!! Vamos ver até onde a gente consegue carregar isso??

    1. Marcus Lemosdisse:

      Mas o que vc escreve nunca é banal, né?! Escrever conteudo de qualidade e fundamentado em argumentos é sempre bem-vindo e vc faz isso muito bem! ;D

      E fico feliz que o texto te deu ideia pra escrever outro!

  2. Maicondisse:

    Acho que estou discipulando um Chuck Norris, gente

    “Maicon e Marcus: Dando voadoras por um Brasil melhor!”

    Ótimo texto!

    1. Marcus Lemosdisse:

      KKKKKKKKKKKKKK O blog aceita tudo que eu escrevo, né? A questão fica para os leitores também aceitarem!

  3. Marcosdisse:

    Parabens pelo texto, bem argumentado, quanto ao comentario de banalizar o tema por ter outra ideia, discordo. Fico satisfeito com a noção de que um tema não pode ser esgotado.

    Pretendo copiar o texto (se permitir) para um grupo de discussão de e-mail apenas para levantar a bola.

    vlw

  4. Augustodisse:

    bravo..
    mas tem algo que me deixa com os dedos na cabeça..
    para mim o texto esta acusando levemente de que a culpa é do “transmissor” da.. vamo dizer “mensagem subliminar” a midia galera.
    na verdade o culpado é o telespectador, exemplo..
    Vi 30 nego usando uma roupa X, logo eu comprei uma roupa X, legal to parecendo um X.. as gatinha gosto só porque tem 31 X, logo tem outro X(32),33,34.. enfim 300 milhões de X. E ai, quem é o gatinho?
    acerto quem penso que era o Y. =D
    Depois o gatinho atual (Y) vai.. ixi <<< shauihsiuas (Y)<, blz.. enfim ele vai aparece na midia, ai a massa faz o mesmo processo novamente.
    Imagino eu.. assistindo meu pai assistindo jornal la.. derepente passa na tev fama uma foto do rogerio ceni fumando um com seu filho na holanda.. logo seria rasuavel chama meu pai pra fuma um depois da janta..
    respondeno a pergunta liberdade ali.. liberdade pra mim eh fazer tudo que eu quiser é claro com o monitoramento dos meus principios. ja que vou esta sujeito a critica pra galera ai embaixo interessante seria a compreensão da opnião citada num acha? veja bem.. cada um de nos concerteza tivemos experiencias diferentes, pq estamos em lugares diferentes conhecemos pessoas diferentes as causas tb vão ser diferentes.. entaum como posso avaliar a sua opnião?
    ai está algo que o ser humano ainda não consegue lidar.. a avaliação..
    exemplo você que esta lendo oq escrevi até agora, é claro que você esta avaliando com sua experiencia do que ja aprendeu e subjugando aqui oq esta analisando na sua imaginação, alem daqui em qualquer outro lugar você esta julgando ou sendo julgado repare bem no seu cotidiano como coisas inuteis lhe tomam o tempo.

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