Calma. Antes de jogar pedras no seu computador com raiva da minha afirmação, leia o que tenho a dizer. Você leu corretamente: precisamos de mais Bolsonaros. Não por causa da sua briga contra os homossexuais, nem porque ele proferiu algumas falas preconceituosas no CQC e em entrevistas subsequentes. Precisamos de mais Bolsonaros porque precisamos de representantes no congresso sem medo de ir contra a opinião popular ou que não esteja preocupado com o carisma hipócrita, de dar tapinha nas costas e passar a mão na cabeça de todo mundo, apenas para garantir seu curral eleitoral. Preciso de representantes, em todas as esferas, que sejam sólidos em suas crenças, e não tão efêmeros nas decisões, deixando de lado as suas crenças e convicções de valores. Não precisamos de representantes que mudam de opinião como quem muda de roupa, dançando de acordo com a música colocada pela mídia.
Outro exemplo parecido, também muito criticado, foi a Igreja Católica Romana: Não sou católico, mas admiro a postura da Igreja quando se posicionou contra, por exemplo, o uso da camisinha. Foi criticada duramente mas ela, simplesmente, afirmava algo em cima de valores que ela acredita: sexo depois do casamento; somente entre o casal; e que a procriação seja permitida. Ela não quer saber se o sexo se perdeu e hoje é moeda de troca e, por isso, deveria liberar a camisinha. Ela continuou firme no que acredita. Ora, são nos caminhos sólidos em que precisamos ser guiados. Se a cada dia pisarmos em novas crenças, em novas ondas, vamos chegar a lugar nenhum.
Então, voltando ao Bolsonaro, imaginei aqui seis tipos de políticos brasileiros:
- Político = Safado, corrupto, luta por interesses próprios;
- Político = Eloquente, bem relacionado;
- Político = Aquele que exerce seu papel cidadão;
- Político = Aquele que defende uma ideia e combate a seu favor;
- Político = Aquele que ocupa uma cargo eletivo, como um deputado, senador, prefeito, governador, etc;
- Político = Aquele que representa um povo, uma região, uma linha ideológica.
Infelizmente, no Brasil o termo “político” está diretamente ligado aos nossos representantes, geralmente vistos como safados, interesseiros, corruptos, relacionados somente com “mafiosos”, falsos carismáticos, manipuladores, avessos à cidadania, uma vez que parecem fazer todos os seus esforços contra o povo. Reclamamos muito sobre isso, com razão, é claro. Queremos ser bem representados, queremos boas ideias nas esferas governamentais e odiamos que defendam interesses próprios e virem as costas para nós. Ora, contudo, quando surge um tipo de político que não está interessado no carisma, possui ideologias concretas e irrevogáveis, não demonstra atos de corrupção, combate a favor daquilo que acredita ser o correto e bate de frente com a mídia (Globo, principalmente) queremos tirá-lo do poder! É muita incoerência para mim. Digam o que quiserem, mas não consigo entender. De repente vemos a mídia inteira contra esse tipo de político e nós, acreditando sermos democráticos, nos deixamos levar por essa mídia. A diferença é que não percebemos que ela defende seus interesse – inclusive a audiência – mas não representa os interesses da maioria que, aliás, contrariando o princípio jornalístico, faz questão de não ouvir ou de dar o mesmo peso aos argumentos (quando dá voz).

Ex-BBB e deputado Jean Wyllys, defensor da causa gay e "rival" de Bolsonaro. O Deputado também é um exemplo de quem está interessado pela luta de uma classe e fala o que quer.
A divergência de ideias é boa para o crescimento e amadurecimento de um povo, pois leva ao debate e, com isso, a construção de argumentos, causas e conhecimento. Então, é de se esperar que uma grande classe seja contra o Deputado Jair Bolsonaro, até porque ele atira (quase que literalmente) contra os que pregam a favor da PL 122. Mas, disso, querer tirar esse perfil de político do poder é ir contra tudo aquilo que sempre lutamos contra! Ou será que preferimos continuar com políticos moles, sem ideologias, marionetes que dão sorrisos abertos e apertos de mãos firmes? E vir com o discurso pronto que ele é contra a “liberdade” é balela, das mais toscas e sem embasamento. O que mais temos feito hoje é intolerar “a liberdade contrária à nossa”, a diferença de opiniões. Por isso, não concordar, mesmo que respeitosamente, se tornou motivo de ser taxado de preconceituoso, homofóbico, heterofóbico, o que seja… Gente, não concordar com algo não quer dizer que a pessoa seja preconceituosa. Simplesmente não concorda. É o meu caso: não concordo com a PL122 e por isso sou taxado de homofóbico. Para, né?! É muita burrice, incoerência, contradição e estupidez pensar assim, na boa.
Por isso, afirmo, sim: precisamos de mais políticos como Bolsonaro. Cansei de carismáticos. Precisamos de quem seja firme nos valores, não nos interesses. E, honestamente, se pensa o contrário, não sei onde quer chegar com o Brasil.







8 comentários
Bernardo Macaúbasdisse:
4 de julho de 2011 em 11:26 (UTC -2)
O caso é que, quando temos um político que defende com firmeza um ponto de vista, tropeçamos em alguém que leva o fundamentalismo religioso/militar à níveis assustadores. Essas pessoas é que submetem todos a valores de uma minoria. E também coloco na barca deputados como Jean Wyllys. Sou contra a PL122.
Aliás, esse tipo de assunto tem pouca relevância para a sociedade. Concordo com o autor quando ele enaltece o político de convicções e atitudes verdadeiras. Mas acho que nem Bolsonaro, nem Wyllys se encaixam nesse grupo, pelo simples fato de defenderem uma idéia que é própria deles e não do geral. E pergunto: já viajou pela BR-040 até Juiz de Fora (trecho gerenciado pelo gov. federal)? Já visitou uma UPA na preferia de BH? Já experimentou passear a pé pelas grandes cidades sem sentir um medo aterrorizante de ser assaltado? Já conversou com um moleque de 10 anos que estuda em escola pública? Ao responder todas essas perguntas, ainda temos que tentar explicar o porquê de uma carga tributária que nos onera em 47% de tudo que produzimos.
Marcus, na minha opinião dar palco para esses dois deputados é um erro. Da imprensa e da sociedade. Pois põe na mesa um assunto que não é de interesse geral e tira o foco do que realmente é importante para o povo.
Marcus Lemosdisse:
4 de julho de 2011 em 13:18 (UTC -2)
Legal, Bernardo. Concordo com vc ao afirmar que tem pouca relevância para a sociedade, até porque acho que o tema já está chegando a um ponto de saturação, encobrindo tantos outros temas importantes que devem ser tratados, como os que mencionou. Contudo, acho que toda essa discussão tem empenhado um papel importante para levar a sociedade à discussão. É fato a nossa dificuldade em discutir temas diversos e levá-los a público. Então, ao se criar temas com pontos de vistas antagônicos, no final das contas, levou todos ao debate e tem criado uma visão política nas pessoas, coisa que raramente se faz aqui no Brasil. Acredito que essa visão política reinvidicatória está começando a despertar e, isso sim, é de grande importância. Claro, poderia ser qualquer outro assunto para despertar isso nas pessoas mas, felizmente ou infelizmente, foi esse. Tomara que para assuntos mais pertinentes, como reforma política, tributária, questões de saude, educação e transporte isso também comece a acontecer.
Gustavo Peixotodisse:
4 de julho de 2011 em 11:28 (UTC -2)
Concordo, no pais falta disciplina, valor pessoal, ideologia, opinião formada, ter o que defender sem mudar de lado por influência.
Apoiado marcus, abraços !
Vinícius Maiadisse:
4 de julho de 2011 em 11:34 (UTC -2)
Acho que o seu ponto de vista está certo em cobrar políticos com postura e opinião, mas o exemplo do Bolsonaro não cabe nessa justificativa. Os argumentos e as opiniões dele não provocam nenhuma reflexão. É apenas mais um gesto de ódio e intolerância sem sentido contra os homossexuais. Ele e a Myriam Rios estão no mesmo barco… falam mal por preconceito, não há nenhuma razão para questionar o esclarecimento dos jovens sobre assuntos como sexo, drogas e orientações sexuais. O ambiente escolar é muito perverso com quem faz parte das minorias, se não abrirmos os olhos dos jovens para o mundo como ele é, as coisas vão continuar do jeito que sempre foram: PÉSSIMAS.
Adriana Torresdisse:
4 de julho de 2011 em 12:37 (UTC -2)
Marcus,
gosto muito de vc e respeito sua opinião sobre a questão do PLC 122, apesar de achar que vc (como a maioria) não entendeu o conteúdo da lei. Agora, dizer que precisamos de Bolsonaros é um pouco demais.
Não acho que precisamos de pessoas defendendo preconceitos, insuflando o separatismo, pregando a violência. E também não acredito que ele simplesmente fala porque tem convicção. Seu oportunismo enxergou nisso uma maneira de conquistar o voto daqueles que ainda vivem do ódio e da falta de aceitação do diferente.
Seria a mesma coisa de fazer um post “Precisamos de mais Hitlers”. Precisamos mesmo? Reflita.
Abraço,
Adriana
Marcus Lemosdisse:
4 de julho de 2011 em 13:36 (UTC -2)
Oi, Adriana! Obrigado pelo comentário e pelo carinho. Vinícius, obrigado pelo seu comentário também! Gostaria de responder em cima do comentário dos dois.
Só gostaria de reforçar que não endosso a postura preconceituosa e agressiva, como tentei dizer (mesmo que possa ter ficado pouco claro) no início do texto. O que gostaria de reforçar é a questão de um representante ir contra uma maioria, não se importando com o carisma ou popularidade, conforme mencionei. Assim como mencionei o Jean Wyllys (nas legendas) – do qual sou contrário, pois o que leio e ouço dele são extremamente preconceituosos também -, são representantes que se mantêm firmes em suas posições e as defendem com unhas e dentes. O que normalmente aconteceria, no caso do Bolsonaro, era do político mudar de opinião de imediato para agradar as maiorias. No caso do Jean, ele ainda agrada uma maioria. Isso é fácil de perceber pelas inúmeras matérias positivas em que ele sai, sempre com direito à respostas.
Quando afirmo que precisamos de mais Bolsonaros, estou afirmando que preciso de mais representantes com postura firme, inalterável. Soa estranho eu afirmar isso, principalmente para mim, como sabe, que também defendo totalmente a paritipação popular na política. Mas creio que precisamos de representantes que não se alterem a primeira mudança do compasso, a exemplo do Bolsonaro e do Jean Wyllys, antagônicos em suas defesas. Contudo, discordo quando diz, Adriana, que pedir mais Bolsonaro é o mesmo que dizer “precisamos de mais Hilters”. Acho que isso é uma caricatura que já se criou em cima do deputado, assim como EU já fui chamado de nazista simplesmente por discordar da PL122 (erroneamente chamada de anti-homofobia) e, como sabe, eu jamais discordaria de algo por injetar falta de respeito em minhas falas. Apesar do post retratar uma postura ou perfil político, do qual tomei o Bolsonaro como exemplo, não acredito que o público eleitor que votou ou votará nele se faz por meio do ódio. Digo isso por mim mesmo. Talvez eu votaria nele, mas não por uma semeação de ódio ou intolerância ao diferente… isso não tem nada a ver e sou totalmente tolerante. Sou paz e amor! rs. Mas acho que por vezes nos deixamos por interpretar certas afirmações, rotulando-as de preconceituosas quando, na verdade, somos intolerantes ao ouvir um opinião contrária.
Quanto a ‘mairoria interpretar erroneamente a PL’, acredito que se muitos a entendem tal qual entendem, é porque a brecha para mais de uma interpretação existe e precisa ser ajustada. Enfim, é claro que respeito a sua opinião sobre a PL122 e tenho o maior respeito por isso. Assim como eu sou contra e você demonstra total respeito. Acho que é isso que tem que existir. É essa a postura de respeito mútuo e tolerância que espero dos nossos representantes também, não tendo que mudar de ideias para agradar a x ou y. É isso que tentei trazer pro post. E que bom que gerou uma discussão! =]
Alefe de Souzadisse:
4 de julho de 2011 em 13:10 (UTC -2)
Ao ler este texto me lembrei de uma frase:
“São muitos os que vêem, e poucos os que enxergam”
As pessoas na maioria das vezes não enxergam, ou não querem enxergar aquilo que não esteja á um palmo de seu nariz.
Tiram conclusões precipitadas, falam sem conhecimento e exigem dos demais aquilo que elas mesmas não tem oferecido.
Cobram a todo momento por politicos que defendam os direitos do povo, que sejam incisivos, objetivos e que tenham ideais.
E quando surge um desses, uma pessoa de pulso firme, que não muda seus principios por interesses políticos, elas criticam.
Independente da idéia que está sendo defendida, esta pessoa está lá, lutando contra tudo e todos para defender suas idéias.
Pode parecer como algo inaceitável, a igreja católica dizer ao fiéis para não usarem camisinha,em países como a África, onde é absurdamente grande o número de pessoas contaminadas com o vírus HIV.
Mas é a ideologia dela, são seus principios. Não importa se os principios dos demais mudaram, se o mundo não é o mesmo, e se as coisas perderam seus valores éticos e morais.
Antes de criticar, as pessoas devem analisar o que pode agregar algo á elas, o que pode mudar, pra melhor suas vidas e a dos demais.
Mudar de opinião é algo aceitável, agora mudar de principios não !
Rodrigo Bragadisse:
4 de julho de 2011 em 18:08 (UTC -2)
“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas” bolsonaro pode demonstrar ideias e convicções fortes, o que de certa maneira é louvável, mas não demonstra sensibilidade e “ternura” que o torne, na minha opnião, uma pessoa a se admirar ou se espelhar.
Gostei do texto, e o compreendo, mas n compactuo com a forma de bolsonaro de “lutar”