A Comunicação como recurso de sobrevivência à crise

Aparentemente, o assunto ‘crise financeira mundial’ não encontrará um ponto de saturação na mídia e nas reuniões de forecast tão cedo. Mais indícios, então, de que o assunto é sério, como não é novidade.

Todos os dias de manhã eu tenho a oportunidade de assistir a um trecho do Bom dia Brasil, da Rede Globo, antes de sair para o trabalho. E admito que é muito desagradável  começar o dia ouvindo sobre crise. A dimensão que a crise tomou já apontou em pesquisa realizada em 22 países que a possibilidade de ficar desempregado é a maior preocupação, entre tantas outras preocupações possíveis, como desigualdade social, probreza, crime, violência, morrer.

E as atividades de comunicação nas organizações, como ficam? Como muitos profissionais sabem e comentam, é uma das primeiras áreas a sofrer cortes. E aí entramos em outro mérito: as organizações que deixam de lado a comunicação abrem margem para aquelas que respiram um pouco melhor, deixando o seu espaço vazio antes ocupado. Deixar de comunicar é se esconder à sombra da crise e deixar de lado oportunidades de se mostrar forte e viva. E, quando a crise der sinal de melhoras, a imagem de quem abandona a comunicação organizacional já terá comprometido a sua presença na mente dos consumidores e, por outro lado, aquela que manteve seus esforços nessas atividades sairá fortalecida.

O que deve ocorrer, sim, é uma alteração de como as atividades de comunicação serão tratadas. Os cortes de orçamento levarão a um aumento do uso das estratégias de comunicação dirigida, diminuindo a comunicação de massa - de maior custo -, e passando a atender dentro dos conceitos de 1 um a 1 e a segmentos específicos do mercado. Nessa mesma linha, estratégias de relacionamento organização/cliente deverão ser acentuadas, sempre em foco a fidelização da clientela existente. Fato é que conquistar novos clientes não terá a mesma facilidade da bonança pré-crise, por isso, manter os existentes passa a ser a palavra de ordem, e a comunicação organizacional será o recurso de fundamental importância. Sem contar que o esforço da conquista de novos clientes é sempre mais caro do que manter os existentes, e “mais caro” não é um termo coerente ao que as empresas querem encontrar pela frente (nunca foi, e muito menos agora.)

Juntamente com o relacionamento direto, deve-se também ampliar o leque da oferta de produtos e serviços. Não com inovações mirabolantes, mas com a oferta de produtos flexíveis às demandas, ajustáveis à realidade enfrentada por empresas e clientes, que não mais se podem se dar ao luxo de arriscar os seus investimentos em produtos que vão além das necessidades imediatas. O papel do vendedor e daquele que fica na ponta deve ser valorizado, pois esse será o braço forte da organização no relacionamento, que deve ser próximo, como indica o termo 1 um a 1, e não somente um relacionamento institucional que mantém a distância.

Acredito que outras estratégias e táticas de comunicação que continuarão a ganhar força serão aquelas geradas por meio de mídia espontânea (como matérias que despertam o interesse público e tem notícias veiculadas em jornais, revistas e portais), que tem o seu custo, mas são capazes de atingir um grande público com um investimento bem menor do que por meio de grandes eventos e anúncios publicitários. Por esse motivo, o investimento em assessorias de comunicação e ações de intervenção urbana certamente serão alternativas viáveis, que ganharão mais relevância, uma vez convencido os executivos, sobre sua importância.

Por fim, investir nas diversas possibilidades da Web 2.0, que tem a capacidade de agregar muito do que já foi dito, com investimento menor do que outros meios chamados tradicionais, com a vantagem, também, de possuir um potencial de “viralização” enorme, com ações previamente planejadas para tal (Veja esse exemplo: em duas semanas, o vídeo oficial no Youtube teve um milhão e meio de acessos e várias versões regravadas, fora participação em outros programas e paródias.) Dentre o que foi citado, tem destaque a possibilidade de dirigir seus anúncios diretamente a cada usuário da Internet, com ferramentas como o Adsense, do Google, que permitem a exibição de anúncios de acordo com o interesse de cada indivíduo.

Como já está acontecendo, os orçamentos estão sendo cortados em todas as áreas de um grande número de organizações, o que tomou forma de recessão econômica em diversos países, como EUA, Inglaterra, França e Japão. Mas dado que a comunicação permeia todas as áreas de qualquer organização e é capaz de manter uma marca viva, seria mesmo o mais sensato cortar gastos com ela? Certamente, focar os esforços nela seria uma alternativa com menor grau de risco.

This entry was written by Marcus Lemos , posted on terça-feira fevereiro 10 2009at 09:02 am , filed under Branding, Crise and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink . Post a comment below or leave a trackback: Trackback URL.

16 Responses to “A Comunicação como recurso de sobrevivência à crise”

  1. Belas considerações meu caro Marcus. Será que a crise esxite mesmo? Acredito mais num momento de cautela dos empresários do que em crise. Estamos todos na expectativa das novas ações do Obama e no entanto estamos literalmente parados. Pra piorar a crise está se instalando num dos períodos de baixa do mercado da comunicação. O momento é de análise estratégica e ação. diferentemente de outros tantos empresários, principalmente mineiros. É isso ai! Seu blog estpa show de bola e conte com minha passagem por aqui sempre. Grande abraço e bons negócios para todos comunicadores.

  2. Parabéns pelo blog Marcus!

    Sua visão realmente integrada da comunicação é um grande diferencial na Internet de hoje, onde nos acostumamos a encontrar tantas visões míopes e parciais.

    E estou honrado em ter sido referência para “dirigir seus anúncios diretamente a cada usuário da Internet”. hehe
    Obrigado.

  3. Rafael e Thiago, fico feliz mesmo com a leitura de vocês. O blog tá sendo lido por gente boa!
    Obrigado.

  4. Marcus,
    muito interessante sua visao de comunicação frente a crise. Vem muito de encontro com a filosofia da empresa de criar um canal de comunicação aberto com os clientes para que a fidelização seja natural e sem “dores”.
    Conquistar novos clientes nos momentos de crise só é possível também com o mercado conhecendo o perfil da empresa e acreditando no seu potencial, papel da comunicação bem direcionada e estruturada.
    Parabéns pelo primeiro post, parabéns pelo blog e serei constante por aqui, sem dúvidas !

  5. Bacana Marcos, muito bacana.. Boa a idéia do blog e a abordagem tb! (Mesmo que o post de estréia tenha sido sobre a tão indigesta crise hehe..)

    Abraço!

  6. Obrigado, Dave! De fato, estrear com um assunto indigesto pode ser um pouco desagradável, mas poucas pessoas têm tocado no assunto de explorar as alternativas existentes, e muito menos na nossa área.

  7. Oi, Marcus!

    Em tempos de crise, as empresas sempre olham a comunicação como desperdício de dinheiro. Isso me entristece como profissional de comunicação, pois a maioria dos empresários acreditam que a comunicação só é importante para gerar resultado (financeiro) - o que é uma lenda.

    Ao mesmo tempo, a presença de uma marca/empresa na web, garante a credibilidade dela, ao mesmo tempo, mostra o quanto a empresa esta atenta ao mundo das redes sociais. Parabéns pelo artigo!

    Abraço

  8. Muito bom seu post Marcus,

    Este assunto é recorrente nas rodas de amigos comunicadores.

    Também acredito na proatividade dos profissionais para ajudar as organizações a sairem ilesos da crise ou ao menos com prejuizos menores.

    Flávio Schmidt também fez um texto muito bom sobre este tema. Me referi a ele em post publicado no meu blog.

    Um abraço e muito sucesso para você com seu blog.

    Ricardo Campos

  9. Muito obrigado, Ricardo!

    Fico muito feliz com a sua leitura do blog, de um profissional experiente como você.
    E muito obrigado pela indicação do texto fo Flávio. Realmente, é excelente!

  10. Marcus, como você sugeriu, vim conhecer o seu blog. Você retrata claramente o que vem acontecendo na relação crise empresa. E como você mesmo diz: é tão simples de resolver…….. Parabéns pelo texto, está muito bom.

  11. Oi, Marcus. Aceitamos o convite e passamos para conhecer seu blog. Parabéns. Bela reflexão sobre a crise.

  12. Marcus,

    Muito boa a sua colocação. Realmente, as empresas cortam custos nas áreas relacionadas ao mkt e comunicação, prejudicando todo um trabalho realizado para sustentar a sua imagem e gerar negócios. Para driblar a crise, as empresas que tiverem um bom relacionamento com seus clientes e um banco de dados razoável sairão na frente. E os profissionais de mkt e com precisarão aprender a fazer muito com pouca verba ou possivelmente nenhuma.

    Abraço, Raquel.

  13. Excelente seu comentário, Raquel. Muito obrigado.

    Em complemento a sua fala, em que diz que os profissionais precisarão aprender a fazer muito com pouca verba, me leva a pensar também que a crise é um momento de estimularmos a nossa criatividade, para conseguirmos fazer justamente o que disse.

  14. Muito obrigado pela visita de vocês. Fico muito feliz com a participação e espero que visitem sempre e comentem!

  15. Muito obrigado, Fávio. Fico muito feliz com a sua leitura e comentário. Espero que o blog possa lhe motivar a visitar mais vezes!

  16. Realmente, em tempos de crise, precisamos buscar alternativas que nos possibilitem fazer muito com pouco e a criatividade é um fator fundamental nesse processo.

    Hoje temos muitas ferramentas a nossa disposição e, além da criatividade, precisamos saber como usá-las para ter bons resultados!

    Abraço,
    Raquel.