Integração World Wide 2.0/Web 2.0
(Tem estimado de leitura: 4 minutos)
Há alguns dias, fui questionado por um amigo a respeito da definição de Web 2.0, o que me levou a pensar um pouco do conceito para além da web. Para começar qualquer explicação na área, deve-se entender primeiramente que o termo “dois ponto zero” não indica uma nova versão de software ou da própria Web. Na verdade, o conceito não leva muito em conta o nome, que fica mais para o modismo do termo. Deve-se entender que Web 2.0 significa um desenvolvimento e evolução da forma como os usuários trabalham sobre a plataforma Internet; sobretudo no que se refere a criação coletiva de conteúdo, colaboração e interação entre usuários. Orkut, Wikipedia, Twitter, Youtube, Last.fm, Delicious, Stumble Upon, Flickr, os diversos blogs e RSS são bons exemplos de como esse conceito é aplicado, e representam a importância da contribuição dos seus usuários para que funcionem efetivamente e ganhem sentido.
Contudo, se olharmos um pouco à nossa volta, percebe-se facilmente que o conceito 2.0 não se restringe à sua utilização no World Wide Web. Como citei inicialmente, o termo cunha o desenvolvimento e evolução das formas de interação entre usuários da Internet, mas isso não restringe à sua utilização a somente dentro do ambiente WWW. É facilmente notável como a cultura “dois ponto zero” passou a ser intrínseca no dia-a-dia de toda a população, na relação mídia/indivíduos (Um bom exemplo são os ARG - como nesse caso, mas isso vale outro post). Interessante, pois isso não se aplica necessariamente à usuários da Internet. A famosa vinheta de final de ano da Rede Globo, em 2008, pela primeira vez foi cantada por ilustres desconhecidos de todo o Brasil, que filmaram e enviaram seus vídeos, em que cantavam “hoje é um novo dia, um novo tempo que começou…”, em que o sonho de aparecer na televisão, ao menos por um instante, se tornou realidade para alguns. Outro exemplo dessa integração é o recente lançamento, por dois mineiros, do Toaí, que “integra celular e internet para promover o encontro real entre pessoas”.
E nas empresas privadas e demais organizações? Ok, talvez o acesso a Internet em algumas possa ser bloqueada, mas o conceito do 2.0 já entrou e é vital para a sobrevivência. Na revista Época Negócios, de fevereiro de 2009, uma de suas matérias abordou profundamente como diversas grandes empresas, como Embraer, Natura, Braskem, Xerox, Intel e IBM, tornaram-se dependentes da criação coletiva, ou, “Open Innovation” (Inovação Aberta) - termo cunhado pelo americano Henry Chesbrough em 2003. Curiosamente, o termo Web 2.0 surgiu no ano seguinte, em 2004.
Resumidamente, a inovação aberta é justamente a abertura das empresas a outras organizações e pessoas físicas para o auxílio à pesquisa e desenvolvimento de seus produtos. “O conhecimento de hoje é tão amplo que precisamos de gente de fora para nos completar.” (Luis Cassinelli - diretor de inovação da Braskem - Revista Época Negócios; Fev/2009)
Como exemplo, a Braskem criou um banco de dados online em que qualquer pessoa disposta a sugerir linhas de pesquisa poderia escrever. O resultado? Das 600 sugestões, 34 foram aprovadas - um número de aparência pequena, mas de gigante magnitude. E essas certamente não teriam sido desenvolvidas se não fosse a abertura à colaboração de pessoas que de alguma forma convivem com a empresa. Em 2005, essa empresa teve 130 patentes e, em 2008, saltou para 218 e tornou-se a recordista entre as empresas brasileiras. A contribuição coletiva aberta é lucrativa, pois permite a abertura de novas idéias, cria-se um relacionamento com os públicos, divide as despesas, enxerga melhor as tendências e divide o risco.
160 mil pesquisadores do mundo têm hoje acesso a diversos portais específicos, do qual um dos grandes exemplos é a comunidade virtual InnoCentive, em que diversas empresas postam, diariamente, dúvidas anonimamente. Cada uma é analisada por até 240 desses pesquisadores (do total, 1.300 são brasileiros) e recebem, em média, até dez soluções, dos quais 40% têm viabilidade de realização em até seis meses. Mais um exemplo da integração web e mundo real, em que a contribuição coletiva mostra-se fundamental.
Os exemplos aqui citados são poucos, realmente, mas certamente incontáveis outros podem ser pensados. Mas, mesmo esses poucos servem para dar um panorama geral de como a cultura da contribuição coletiva e interação, via web ou não, pode interferir no tipo de informação que trocaremos e o que consumiremos. Com isso, saimos a passos largos do Web 2.0 e firmamos nossos pés no World Wide 2.0.
Legal a forma como você colocou o assunto, pois as pessoas estão muito acostumadas com versionamento de produtos. Para cada melhoria significativa feita em um produto, cria-se uma nova versão do mesmo. Mas acredito que essa analogia ainda possa ser usada, pois criou-se uma nova forma comportamental portanto nada mais justo que nomeá-la com uma nova versão para evidenciá-la e diferenciá-la da antiga.
Parabéns pelo blog e conte sempre comigo por aqui!
Seu texto aborda diretamente as novas possibilidades de pesquisa com a web 2.0. A pesquisa tradicional fica restrita quando vemos exemplos como os que vc apresenta. O problema é mais academico do que de mercado: a validade da pesquisa pode ser nula para a academia, mas extremamente eficaz para as empresas!
[...] de informações e sim um PRODUTOR de informações. Isso nos dá substrato para caracterizar a Web 2.0, como já citei nesse blog, no qual há criação e compartilhamento coletivos de informações [...]