Tecnologias da ficção a favor da Comunicação.
Os gadgets encontrados nos filmes são responsáveis pelas pesquisas e inovações tecnológicas? Qual a influência dos filmes nesse processo? Bom, isso dá uma boa discussão. Fato é que muito do que se vê nos filmes viram notícias em seus lançamentos no mundo real.
Fevereiro foi um mês em que por duas vezes me surpreendi ao ver que duas tecnologias da ficção se tornaram reais. Coincidentemente, as duas apresentadas no filme Minority Report, estrelada por Tom Cruise, em 2002. A primeira se refere a um sistema chamado Wear Ur World, desenvolvido pela MIT, que é composta por uma webcam, um miniprojetor e um smartphone, conectados a internet, no qual o usuário não toca em teclas. Através de gestos com as mãos, ele é capaz de interagir com o computador, o que é capaz também de mudar a forma como lemos um jornal ou vemos um anúncio na TV. Não vou me prender a isso nesse post, mas vale uma visita no site da MIT, sobre o projeto, e na página da Época Negócios.
No mesmo filme, o protagonista faz uma cirurgia para trocar os seus olhos, para que as câmeras de reconhecimento biométrico espalhadas pela cidade não o identificassem, através do rosto e da íris e, assim, não ser rastreado pela polícia que o persegue. Ao andar pelas ruas, percebe-se que anúncios são dirigidos diretamente a ele, de acordo com o reconhecimento feito. Pois bem, no dia 10 de fevereiro, no Centro Empresarial do Rio de Janeiro, foi lançado o FaceMedia, tecnologia semelhante ao do filme, capaz de reconhecer e identificar o perfil de um indivíduo de acordo com a sua faixa etária e sexo, através da biometria de reconhecimento facial. O objetivo dos criadores, uma parceria entre a alemã Cognitec e agência brasileira de comunicação Mídia 1, é justamente a de dirigir anúncios por meio do reconhecimento. Ele poderá ser utilizado em feiras e eventos para orientar e atrair consumidores. Poderá ser, ainda, utilizada no varejo, como em shoppings e em projetos específicos. Imagine, você, andando em um shopping, recebendo anúncios de acordo com o seu perfil? Numa previsão para não muito distante, seria como se tivéssemos um Adsense do varejo, em que anúncios relevantes nos fossem feitos de acordo com a nossa presença e pré-conhecimento dos nossos interesses.
E falando em Adsense, foi lançado também em fevereiro o Google Latitude, um serviço de LBS - Location Based Service - no qual os usuários se cadastram e informam aos amigos, ou publicamente, onde estão. As informações podem ser acessadas via celular ou no próprio notebook, para aqueles cujo celular não suporta o serviço.
Agora, imagine uma futura integração entre esses dois últimos sistemas aqui citados. Imagine-se andando na rua e que, de acordo com a sua localização, recebe anúncios de um restaurante da sua comida preferida, ali perto. Ou então, tendo vários amigos na mesma região, todos serem convidados para assistir a um filme, num cinema ali perto.
Se haverá uma integração entre Google Latitude e Face Media não é realmente importante, - isso é apenas algo especulativo da minha parte -, mas sim o poder de anúncio dirigido possibilitado por ambos. Demonstram que o mercado publicitário pode caminhar por esses trilhos e, mais uma vez, nos vemos dentro da realidade daquilo que antes considerávamos ficção científica.
Em tempo: No blog Marketing Contextual, Rafael Damasceno faz uma boa crítica sobre o Google Latitude. Vale a pena a leitura.
Oi, Marcus! Impressionante isso que vc trouxe…os filmes acabam por fazer um merchan de novas tecnologias que estão (ou estarão) em uso. Adorei os exemplos que vc citou. Até a publicidade e a comunicação fazem da tecnologia um instrumento de percepção para anúncios relevantes de acordo com cada perfil…meu Deus…esse mundo tá muito moderno…sempre me surpreendo com essas novidades. Ah, tô assinando o feed do seu blog. Abraço
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Abraço
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Normalmente, essas tecnologias levam muitos anos para serem implantadas. Passam por um longo período de pesquisa, teste etc até que se tornem realidade. Pode ser que alguns filmes se baseiem nesses estudos e não necessariamente inspirem novas tecnologias (embora isso seja possível, claro).
Se houver um grande pesquisador buscando inspirações por aqui, que tal desenvolver aquele carro e aquela moto do Batman (The Dark Knight)? Seria a solução perfeita para o trânsito de Belo Horizonte. Você usa o carro para atravessar o Anel Rodoviário e sair vivo. Quando chegar ao Centro, implode o carro e estaciona a moto. Perfeito!
KKKKKKK blz… espero mesmo que haja algum pesquisador aqui, Priscila. E tomara mais ainda que ele leia seu comentário e crie isso!
Mas muito correto o que disse, mesmo assim, acredito que o caminho inverso (filme inspira pesquisas) também aconteça. Lembro de um exemplo agora do Star Wars IV, de 1975! No filme ele já sugere o uso de hologramas para o envio de mensagens e, hoje, mais de três décadas depois, a tecnologia começa a ser mais bem explorada.
Obrigado pelo comentário!
Olá sou um dos desenvolvedores do projeto Facemídia que consumiu algum tempo da minha vida e foi tema da minha monografia ( muita coisa se aperfeiçou até agora).
Gostaria de esclarecer que é muito distante do Minority Report . A diferença está que o programa do filme lida com um cadastro (de todas as pessoas que existentes) que requer um grande poder de processamento 1/nº pessoas.
Além disso, o reconhecimento é feito pela iris(mais preciso) mas que (hoje) requer que o identificado fique imóvel por algum tempo.
O que o programa faz é identificar características biométricas que o classificam genericamente( ex. traços femininos , rugas e etc)
Obrigado pelo post
um abraço
Olá Bruno. Fico muito feliz com a sua visita e comentário. Certamente enriqueceu muito o post.
Lhe dou total razão, afinal, trabalha no desenvolvimento do Facemidia. Contudo, apesar de salientar no texto que o reconhecimento é facial e não pela íris, minha maior intenção foi a de demonstrar os caminhos que a publicidade dirigida pode tomar, partindo das tecnologias já existentes. Da mesma forma, especulei sobre o uso do Google Latitudes. Certamente, ainda está distante da realidade apresentada no filme mas, sem dúvida, é um horizonte bem visível e mais palpável. Com o desenvolvimento, acredito ser bem possível chegarmos a uma realidade próxima ao exemplo. E nós, profissionais de comunicação, dependemos de você para que essa tenoclogia exista!
Mais uma vez, obrigado pelo seu comentário e parabéns pelo seu trabalho!
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